é o sonho a comandar a vida

sem nenhum destino saio pela noite,


estou cheio de palavras,


de abraços,


de sorrisos escondidos no banco alto, da mesa alta, onde se sentam os senhores à procura de senhoras,


misturo-me por ali,


despertencente,


 


sei-me despertencente na pertença do destino pela noite adentro,


o que faço aqui?


embriaga-me o teu ar que fantasio de mulher e guardo todos os sorrisos e abraços para ti numa noite que há-de acontecer,


o teu sorriso dança nos braços do homem diferentemente homem dos restantes homens da noite branda,


a minha hora chegou,


já nada por ali sou,


 


retiro-me do sonho que acompanho com agua que é o mais puro que estas noites têm,


desço a serra,


abraço-me ao trompete que me acompanha até ao leito onde adormecendo me irei acordar, do sonho que sonho acordado.


 


um dia, ver-te-ei de sorriso em punho para mim quando a revolução se der,


resistentemente forçar-me-ei a sonhar,


lutarei com estes versos de uma poesia que nunca te irá chegar,


é o sonho a comandar a vida.

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