Não há silêncio em mim, se em mim existe vida.

Todo o silêncio em mim é barulhento, não tenho silêncio nos pensamentos que esculpo, nas noites balsâmicas em que me tento abstrair de ser, neste sentir que não aprecio de todo querer.  


 


Todo o silêncio em mim é a festa com que sonho, a guerra que almejo, a paz com que o musica em fundo me ameiga.


Não há silêncio em mim, se em mim existe vida.


 


Pode até silenciar-se o vento, o rio desaguar noutro mar, o grito emudecer, a cidade falecer, o vulcão transformar-se num jardim florido de lilases de flor de alecrim e lavanda, que, enquanto os meus sonhos e angustias forem desejos de perturbados amores e se enaltecerem nas minhas veias, o silêncio será sempre uma ruidosa metáfora silenciada pelo ruído da minha existência.

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