ergo-me em mim, de mim.
Por doação:
- ergo de mim todo o esplendor e reputado currículo, de não ter sido ou ser, gente de normalidade aferida;
- ergo de mim todo o meu passado anormalmente escolhido, toda a dor infligida mais a meus pés, que a quem não conhece o destino;
- ergo de mim todas as tardes nas esquinas sofridas de solidão, na esperança que um qualquer pedaço de substancia me devolvesse à humana condição fisiológica e passional;
- ergo de mim as dúzias de poemas acerca da esperança que tardava acontecer;
- ergo de mim o dia, final de ano, inicio de mês ultimo em celebração dolorosa, da decisão da vida a apunhalar traiçoeiramente a morte lenta e sonolenta;
- ergo de mim este sentido tamanho que faz este ajuntamento de palavras que em morte minha de vida, tenderá a ser entendida como se de toxicidade de tratasse, esta forma virulenta de descrever um passado naufrago;
- ergo-me em mim, de mim.
Por doação, assim me recolho, embrulhado neste aconchego de purpura ilusão de acordes menores de uma valsa cadente.
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