Falas ao desbarato de porções de vida
Falas ao desbarato de porções de vida
fala 1
- Será o alter ego de alguém com certeza, e assim sendo terá personalidade própria, será “almado” de alma própria e incomum. Conheço-o pessoalmente, que parva redundância, se o conheço já é pessoalmente, ou pode não ser? Sim posso não conhecer e / ou posso conhecer. Ok, adiante.
fala 2
- És doidinho, disseste-me.
Não. Todos somos. Todos não. São mais os bem-aventurados.
O fulano I, o fulano II e o fulano III não são. Parecem, mas não são. Ouvem o relato ao domingo à tarde, e falam dos que passam, no largo de quem vai para a praia. Parecem que são, mas não são. Deve ser por usarem brincos.
fala 3
- É o teu ponto de vista aceito.
Não. Não é um ponto de vista.
Ponto de vista são várias opiniões sobre uma coisa, há vários pontos de vista, cada qual tem um ou mais, eu, no limite teria o meu.
Não é nada disso que eu estou a dizer. Estou a falar do largo frequentado aos domingos à tarde e de brincos.
É só uma só opinião, não é um ponto de vista.
Pode até nem ter nenhum valor para alem de todo o valor que para mim tem.
Não tenho nenhum ponto de vista
Posso enumerar outros energúmenos, para te facilitar a percepção, ou ser de menos difícil entendimento.
fala 4
- Também haviam rapazes do trapézio voador, eram dois (no sonho);
um homem do poço da morte (no sonho);
um indiano que encantava jiboias, fazia-as silvar, incrível (no sonho);
duas velhas mongolianas, muito velhas, com mais de cem anos e sem anos que se lhe contassem, com o mundo descrito nas rugas, olhos sem olhos que escurecessem mais a noite (no sonho);
e meia dúzia de orgasmos que também por lá cantarolaram (no sonho).
fala 5 -
que vida doida eu tenho morrerei sem saber quem sou, eu que só queria ser exageradamente poeta, do género:
- junkie da poesia
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