Estou maravilhado e assustado! (extracto de palavras por ver a luz do sol um dia)
Desenhas e encantas a serra nos mais recônditos recantos. Semeias sonhos. A serra cheira a estórias e adormece de encantos. Pares um filho inventado. O sol adormece e treme com o breve encantamento de um gesto escondido. As ervas crescem numa púcara fervida como remédio. A serra deita-se com o mar e o nevoeiro com o arco-íris. A serra expressa-se num breve sussurro. Os caminhos estão apaixonados pelo regresso. Os deuses tudo permitem.
Sabes de alguma coisa de regressos atempados?
- Sei, sei de uma estória em que o mar foi visitar a serra.
E pode alguém ser quem, não é? Pode alguém dissimular não ser ou existir? Pode alguém tornar-se noutro alguém, nem que seja por um instante?
- Pode, a esperança hipoteca a fé e o dissimulado veste-se de certezas.
E o medo? E o medo?
- O medo é preciso.
O medo faz parte do mistério?
- Faz. O medo é a antítese da fé.
E o que é que comanda a vida? É o mistério? O medo precisa da fé?
- Adoro o mistério obsoleto do óbvio.
- Adoro o mistério dos deuses e dos acasos.
O óbvio joga ao carnaval com o medo.
A fé joga às escondidas com as reservas.
O conhecimento promove o caos e a ignorância.
Sei tão pouco de tanto, sei nada de tudo, não sei nada de coisa nenhuma,
Não sei.
Ah!
Mas estou maravilhado e assustado!
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