Exuperyano e nocturno
Parece-me chegar o mar aos dedos. O sol faz o seu percurso raso com a vegetação. Esconde-se na hora marcada. Na hora combinada. As gaivotas deitam-se num voo circundante. Exuperyano. Nocturno. Na praia os resistentes teimam em resistir.
Sento-me no telhado por detrás do farol. A varanda abaulada cheira a livros. O crepúsculo cai em decadência. O som é difuso. O mar soa diferente se de encontro à rocha, se de encontro ao mar. Um velho poema é declamado em surdina. Beijo e passeio-me nos teus lábios de seda. O cheiro da noite habita a minha pele. As palavras encolhem a minha solidão.
A verdade divergente da verdade dos homens é o meu mundo. Uso mais do que cinco sentidos. Fecho-me aos que me impedem de sonhar pois aprendo o que não sei quando sonho. Estar por estar, não estou. Ser por ser, não sou.
A estrada, agora prateada pela lua, junta-me às estrelas.
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