Quantos beijos guardas em cada degrau?

Quantos beijos guardas em cada degrau?


Quantas estórias guardas na tua historia e quantos amores a chuva lavou dos olhos, o sal que a saudade verteu de lágrimas?


Quantos segredos de amantes e quanto vento atravessou encostado às paredes, segredando noticias dos homens que partiram, às mulheres e crianças que ficaram?


Quanto frio, quanta neve, quantas tempestades de peitos dilacerados guardas em ti?


 


Vida sempre igual.


Campo. Rio. Serra e frio, calor e a festa do verão.


Depois, tudo igual novamente.


Campo, crianças, sementeira, colheita, os domingos que cheiram a café e a oração sagrada.


Nesta terra semeada nas entranhas do ventre da terra, existe o mundo inteiro, não há outro mundo, nem outra terra, não pode haver. 


 


Agora, beijo suavemente o cansaço e adormeço todos estes anos.


Já não durmo uma noite de cada vez.


Adormeço por toda a vida uma noite de cada vez.


 


Amanhã, voltarei a beber da fresca agua que geme da fonte onde misturo o choro com o amor.


Tenho saudade de beijos.


Tenho saudade do amor.

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