Bom ano bla bla bla
Não tarda e as redes sociais ficam cheias de “balanços”. Já cheira.
Já cheira a balanço do género: “este ano foi assim mas para o ano vai ser assado” e, na realidade, não foi bem assim, e não vai ser diferente coisa nenhuma, porque os dias continuam com as mesmas horas, as semanas com os mesmos números de dias, os meses com as mesmas semanas, e o ano com os mesmos meses. A velocidade com que se vive quiçá aumentará, e o adiamento será o mesmíssimo. A doença proliferará, e o tempo esgotar-se-à da mesma estúpida forma, e, diremos o mesmo daqui a um ano: “Este ano foi assim, para o ano será assado”.
O diferente na verdade é uma necessidade, nem que seja apenas dita pela necessidade de se dizer ou purgar uma espécie de culpa pelo mau uso do tempo, e assim parecer-nos-à que se libertará de nós na consciência da palavra dita, mas, na realidade, a diferença far-se-à no retirar de: horas aos dias, dias às semanas, semanas aos meses, meses ao ano, tempo para nós, para fazermos coisa nenhuma e ofertarmo-nos oportunidades, para abraçarmos, passearmo-nos de mãos dadas, discutirmos entendimentos, resolvermos questões emocionais, sentarmo-nos a ver o mundo passar, lembrarmo-nos dos vivos, de quem ainda temos, e exultarmos quem perdermos. Tudo o restante necessário entrará pelas nossas casas adentro, virá por acrescento e pela consequente necessidade de vivermos.
Parece-se fácil, mas é uma obra com anos, por começar, longe de ser iniciada.
Por vários motivos e ordem de razão, dispenso felicitações natalícias, anos novos bons ou boas entradas, se eu os quiser, farei por isso.
Prefiro abraços todos os dias do ano.
Sempre e mesmo.
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