Lavrar, erigir e desobstruir,
Um fio de luz irrompeu a penumbra clareando a escuridão. Irrigou e amanheceu as ideias, convertendo-as afirmativamente. O trabalho de que disponho desemaranha-se como um pião de madeira lançado num vertiginoso rodopio. Viver dá trabalho. Pelo menos viver pensando, decidindo, caminhando, não subestimando, não vendendo e esculpindo o caminho traçado.
Lavrar, erigir e desobstruir, falece e anima a alma no minuto seguinte do outro, anterior à lágrima e subsequente ao sorriso.
Gosto de dar as mãos. Gosto de mãos. Mãos desenhadas e acabadas. Gosto das mãos que me fazem adormecer sem medo. Gosto do sono bom de bem acordar. As mãos são limpas. Uma vez sujas, jamais voltam a ser limpas. Como a mente. Uma vez conspurcada jamais deixará de o ser. E a amizade é igual. Uma vez seca, jamais será verdejante, tal como a colheita de uma sementeira ou uma fonte enxugada de água. Como a desilusão. Sendo, não mais deixará de o ser. Como o desamor que não mais voltará a ser amor. Estas “coisas” que sinto são pedaços de mim, e tal como o vento que passa, desaparecem. Não se voltam a juntar.
Lavrar, erigir e desobstruir, falece e anima a alma no minuto seguinte do outro, anterior à lágrima e subsequente ao sorriso.
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