Clausura II
Nesta fase de clausura muitos desafios me são colocados, por este ou aquele motivo ou apenas por desinteresse temático não me seduzem, este seduziu-me, partilho-o.
O desafio foi:
Como é possvel sentir saudades de algo que não se viveu?
Saudades do que não se viveu é algo muito rebuscado dos meandros da mente. No entanto, acredito nessa possibilidade como real. Posso sentir saudades em forma de uma configuração que vou designar por déjà vu, aquela costumeira expressão de que alguma coisa é tão real que tenho a certeza que:
ou já a vivi,
ou já estive nesse local,
ou senti esse cheiro,
ou é tudo tão verdade e fácil que parece que conheço essa outra entidade há uma vida inteira,
ou ainda, uma espécie de negação positiva, em que eu quero sentir saudades de algo que não vivi, porque isso me inspira, me ajuda a ser unidade com aquilo que estou a sentir.
Parafraseio um poeta que me ajuda o raciocínio, Gedeão, que reduz e confirma este argumento com um: - “sempre que um homem sonha o mundo pula e avança”, ou seja, tudo o que é real antes foi um sonho, então, tudo o que alcanço sonhei primeiramente.
Assim, é legitimo e sane sentir saudades de algo que não vivi ainda, acreditando que o sonho é o meio passo para o vir a viver.
Mesmo que não viva em plenitude, vivi em mim, e essa é a maior verdade de todas. Eu próprio.
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