ambiciono retomar à inocência do olhar


Ambiciono retomar à inocência do olhar, 

despir-me de toda a sabedoria e voltar a ver as coisas como em criança, 

pretendo apreciar a luz,

a contraluz,

a claridade e o sol pela primeira vez,

desejo apreciar a espuma das ondas que escorre da rocha e a lua que se levanta e põe com o

despertar,

quero-me isento de opinião,

sentir-me extasiado num prado verde repleto de folhas caídas de outubro,

sentir o rio que se queda de aqueduto em aqueduto,

de açude em açude,

levando no seu leito quem nele se quiser deleitar.



 



Os rios não escolhem,

aceitam,

desajustado quero desaprender.

adoptei-me ao mundo numa alma voante,

ambiciono retomar à inocência do olhar.


 

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