Naufrago
Já não entendo as palavras, aquela suburbana dor quase romanceada e única, que é do mundo inteiro, mas parece que é individual e mais ninguém assim a sente, a eterna amarra redentora de pecados não perdoados, a obrigação do discurso aprendido, os mesmos vocábulos, a mesma “gemideira”, o gueto superior há incompreensão humana, o naufrágio sem salvação.
Reaprendi nas mesmas palavras outro significado, no mesmo caminho outros caminhos, novas conexões, novas necessidades, despoluição emocional, verdade espiritual e o direito à negação, à revolta, à dor, a outras perspetivas mais, do que a bem comportada aceitação, porque a verdadeira aceitação, sinto-a no meu alter ego e nos sentires com que me gladio comigo mesmo, no sono dormido sem sobressalto, na evidencia justa dos meus erros, e das coisas que faço menos mal. Na verdade, aceito o que me faz emocionar sem ser uma escolha, porque entendo a vida como um delírio pasquim sem consulta prévia, entendo-a como navegar sem astrolábio, e fazer do sextante a costa. E assim me fiz um naufrago, que se deu à beira-mar numa madrugada de um outro século, de um outro milénio. A oeste.
Comentários
Postar um comentário