Esquecida e desarrumada
Exausto do peito,
cansado de todos os músculos que gemem a dor de mais uma passada,
a vida como se fosse uma divisão de arrumos,
de guardadas e velhas lembranças,
de recordados cheiros e choros,
de miséria e esperança,
de beijos vadios de noites esquecidas,
de manhãs acordadas e desabraçados.
A vida como se fosse uma divisão onde a porta se mantem sempre fechada,
onde se guarda o medo e a loucura,
sem luz e sem fechadura que se abra,
sem janelas nem ar que se respire,
sem vida,
sem morte,
sem nada,
a vida arrumada numa divisão de arrumos esquecida,
e que se quer manter assim mesmo – esquecida e desarrumada -
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