terra, arado e liberdade
Num Portugal aqui,
Não falta cansaço no corpo alugado por mais de dez horas,
Não falta olhos fundos e medo,
Não falta terra, arado e liberdade.
Não falta polícia secreta e analfabetismo,
Não falta uma revolução por fazer,
Não falta um deus misericordioso com que me tentam enganar.
Sobra-me sonho,
Sobra-me o sonho de que um dia existirá em tudo o que falta tudo o que existe.
Já houve um abril insuficiente, neste país daqui.
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