A viagem é alucinante, depois, o amor entontece as almas.

A viagem foi alucinante pela pressa de chegar e ver os teus olhos profundamente saudosos e a tua boca saborosamente quente logo por cima do teu peito incandescente. A viagem foi dura e longa, mesmo roubando ao tempo a distância. A distância foi severa e extensa mesmo que seja quase nada, porque quase nada não existe naquilo que nos separa. Quase que te vejo da minha janela, e mesmo não te vendo, sei que passaste, ou passarás, sei que mesmo que entretido nos meus livros, ou a desejar na minha música, sobra sempre uma alucinada viagem apressada de ver os teus olhos profundamente envergonhados com os meus.


Os nossos olhos envergonham-se mais do que nós mesmos, como se fossemos homem e mulher antes da estupida evolução da posse.


A viagem é alucinante, depois, o amor entontece as almas.


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