Já me fiz amigo de um poeta
Acordei com o tagarelar de uma feira.
Uma feira onde se apregoa e compra. Onde se vende e troca. Onde a música elege o cantor. Onde a fome se detém numa barraca que arde de frigideiras e bifanas. Onde há barracas de potes de barro. Onde o vinho se bebe com os homens que se sentam a olhar as ancas das mulheres que passam nos seus decotes.
Já tive um amigo da feira.
Era uma mistura de feirante com a eloquência retórica que lhe servia de pertença onde pensar se exigia pouco. Juntando-se-lhe umas certezas o apregoado estava vendido. Assim se governava.
Já tive amigos de bairro e outros que o destino não me fez de fortuna. Não tive destino e a sorte sobrou nos amigos que me restaram.
Já me fiz amigo de um poeta.

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