Terra que não voltarei a pisar
O corpo frio jaz em fim de tarde fria e chuvosa. Por cima da música sobrepõe-se dois abafados gemidos, e um homem reentra no salão de baile com as orbitas descoladas do olhar. Inacreditavelmente mataram-lhe a mulher que ia de braço dado com ele e falharam a sua morte.
Foi o destino. Só pode ter sido o destino porque deus não existe, se existisse não tomava partido por um dos dois, não deixava morrer um, em prol do outro. Em mim o corpo continua encharcado em chuva, sangue e lama.
Começam as primeiras projecçoes, os profetas da desgraça tomam conta da ocorrência. Dormi mal nessa noite.
Ainda não piso aquele pedaço de terra ensanguentado, cada vez que por ali passo vejo aquela mulher a despedir-se da vida, talvez já fria de domingo à tarde, princípio de noite, fim de vida.
O homem que a trazia pelo braço vejo-o por aí, amiúde, de balcão em balcão, e nenhuma vez a há, que não a veja a ela, serenamente adormecida, na terra que foi seu destino.
Terra que não voltarei a pisar.
Deus existe, por isso TODOS morrem. Tu és pó e em pó te reduzirás. O facto de alguém ter destruído um computador ( neste caso, a morte de um computador) não PROVA que o inventor do computador não exista. Lógico.
ResponderExcluirpontos de vista, respeito
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