Gostava de me dar com outro tipo que não fosse eu, mas fosse
Gostava de me dar com outro tipo que: - não fosse eu.
De ter um amigo perto que: - não fosse eu.
De poder confiar num gajo que: - não fosse eu.
Na impossibilidade de não ter ninguém por perto que não seja eu, sou eu mesmo a quem me dou. Sou eu mesmo que estou por perto. Sou em mesmo em quem confio quando me passa a desconfiança acerca de mim semelhante.
Não sou o meu pior inimigo, longe disso, mas sei o que isso é. Sou apenas a decisão entre o que preciso, o que tenho, o que quero, o que sonho, o que gosto, o que canto, o que vejo e o que sou.
Sou eu. Assim. Duro e meigo. Sensível e consistente. Feito de história. De incríveis histórias que nem a mim me parecem reais. Depois olho e, quando me vejo, acredito.
Fui o que hoje sou.
Fui a minha essência, humanidade e vida.
Fui a morte na primeira pessoa. A solidão. A tempestade e o mar.
Posso falar do sonho mais lindo que tive.
Do alcance dos meus braços.
Do desígnio da vida. Do destino não ser destinado.
Gostava de me dar com outro tipo que: - não fosse eu, mas fosse.

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