Morte preenchida

Em cada dia existe a morte declarada e uma forma de a declarar,


que se preenche em papel timbrado no dia em que declarada a vida expirar,


e é só nos funerais que perdidos de remorsos achamos,


não valer a pena a vida enquanto esforço,


e é só nos tórridos torrões lançados ao corpo,


que a vida afinal se glorifica,


e toda a gente valeu a pena afinal,


o burlão,


o mendigo,


o doutor,


o drogado,


ninguém morre de pecado,


essa mentira anunciada num jesus crucificado,


inventado pelos homens que te querem ver castrado.


 


Em cada dia existe a morte declarada e uma forma de a declarar,


que se preenche em papel timbrado no dia em que declarada a vida expirar.


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