Café bom
Interrompe-se-me o raciocínio por uma virgula mal colocada, como se lei mudasse o sentido do crime. Agora já não sei onde ia e tenho que recomeçar tudo de novo. Nova oportunidade para ser satisfeito no meu resguardo. Velho momento este reconhecido pelas células da memoria. Mais café. O dia clareia nos ponteiros do relógio que não se calam. Sobrevive o velho poema rouco do Dylan em companhia de fundo. Sobrevivem os sonhos desacreditados quando acordado, reais quando adormecido. O fio condutor já me liga o pensamento. Café bom.
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