Só a fome é farta II
A lua cresce em forma de baloiço,
o sonho adormece o desassossego,
deuses, demónios e lamentos,
ruelas entre os dedos,
moinhos a assobiar às estrelas,
peixes azuis no tejo,
o vento a rasgar as árvores,
a poeira solta no peito.
Admiro cada árvore,
cada vénia que o rio faz ao passar,
a solidão,
o lençol manchado de vazio,
a madrugada plena do prazer de nada,
sem nome,
sem olhar.
sedenta da vida que a assola.
Só a fome é farta.
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