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Suficiente

Este sítio cheio de lugares, estas noites de amanheceres tardios, este lugar cheio de sítios. Suficiente.

Bairro

Passeio-me pelo sítio onde nasci. Não há gente que tenha nascido ali que por ali ainda viva. As esquinas e todas as portas me reconhecem e nenhuma das pessoas com quem me cruzei me disse: “bom dia sei que pertence aqui”, e no meu mais profundo sentir, sou invadido por uma saudade que grita dentro de mim, sou invadido pelas correrias, pelos amigos, pelos cheiros, pelos anos que me engolem a cada dia. As ruas estão iguais naquele bairro por detrás da igreja, estão agora remendadas, e o rio já não as enche a cada inverno, chove menos. Os beijos do jogo da escondida ainda por ali estão no beco do preto, nas escadas do conde, na fazenda do pimenta, no terreiro, no portão da quinta do sr tenente.  Eu ainda por ali estou. Eu ainda por aqui me passeio vivo. Eu ainda por aqui morrerei com este sítio infância de mim.

fuzilamento

Adoro as expressões: - "não tenho duvida nenhuma de que blá blá blá blá" e a concorrente: - "tenho 100% de certeza de que blá blá blá blá" , Às duas ? fuzilava-as! A quem as profere?  mandava-os para villa ramadas ou assim, tratam lá de tudo, ainda inventavam terapia que se adeque à maleita.

deixo-me

Deixei de ver, o que me tortura muito mais do que de todas as vezes em que ceguei. Quando cego, via. Todos os passos que dou nas páginas em que escrevo, não são todos os beijos que escrevo nas páginas que invento. As páginas que escrevo. As páginas em que escrevo. A quem escrevo.  Deixo de ver o meu olhar sofrido na incerteza de não saber se continuo a ver o mar. Certeza nenhuma tenho, que me possa abraçar.

choro sim

Imagem
Não posso dizer que sei chorar, que quero por vezes vezes chorar, que chorar é igual a viver, e que musicas há que só choradas são ouvidas, livros que só chorados são entendidos, versos que só banhados de lágrimas são escritos, pessoas que só choradas são amadas. Não posso dizer a ninguém que sei chorar, porque não quero chorar mais, pelo desentendimento de pessoas que não sabem chorar.

Nada ficou

Nada fica quando esqueço o meu próprio património, e o meu património não são coisas, são lugares, abraços, cheiros, cantigas e os momentos em que dancei sem reparar nos passos que dei. 

as estrelas deitadas sob a lua

o brado das ondas,  o pinhal,  o cheiro forte a luar,  as estrelas deitadas sob a lua,  a minha viola, e a felicidade que me golpeia naquele pedaço moreno de mar que frequento.