Ao descer o bairro alto pelo rua das taipas desencontrava-me no alfarrabista que se me cruzava. Cinco ou seis metros quadrados não mais, de livros velhos, novos, usados e por usar, com e sem pó, de escritores russos, polacos, de outros e portugueses também. O cheiro ainda hoje me invade o sentido com o pensamento. À época, descer até à avenida da liberdade era uma prisão. As pessoas aos meus olhos eram assustadas. As suas passadas eram como fuga de si próprias, eu mesmo tardava em chegar ao Tejo e tinha esperança que um comboio me trucidasse, para não sentir a alma, e, se me esmigalhasse aquela dor. No cais ancorado o cacilheiro depois do apito estridente partia para a união à outra margem, sentado no ancoradouro sabia que demorava seis buzinadelas até chegar e outras tantas no regressar. Era a minha partícula de tempo. A medição desmedida, a avaliação do esgotamento do tempo, mais que pensamento. Adiava cada entendimento que me jorrava em enxurrada cabeça adentro. Lembrava-me de pouca...