Lembro-me de um céu aberto e um sol lindo, Uma encosta cheia de sorrisos e sonhos inventados por concretizar. Lembro-me dos rouxinóis a cantarolar e esquivos nos murmúrios, Das mulheres que tinham as mãos como os homens, Da criação dos filhos, e o manter cheiro a lavado pendurado nos entendais brancos de roupa. Lembro-me dos meus primeiros acordes copiados, das mãos de quem já sabia usar as cordas todas da viola, Das noites de verão compridas e cumpridas, Das estações serem delineadas como os corpos das primeiras raparigas em que reparei, Dos sonhos desfeitos que fui tendo pela diferença, Da miséria que se tornou no paraíso, e o inferno adulterado. Vivo como uma enxurrada renovada e diária, Tenho rios feitos de veias nos meus braços, Pensamentos de montanhas, e um céu de pássaros às cores a habitar-me no peito. Tenho a Natureza como amante e o sonho como caminho, Tenho escassos amigos, uma filha, e ainda um pai e uma mãe, Tenho-me a mim recordado, reinventado e progredido. Não sou...