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sem que se explane

não me despeço nunca de alguém, como não deixo de frequentar nunca o mar, não frequento nunca ninguém, como não me despeço do olhar, sem despedidas atempadas ou infrequências, nem sou, nem deixo de ser a alma que me preenche, cheia de um mundo, sem entendimento que se explane.

sem nada

palavras ermas, sem corpo, dissabor da alma desaparecida, sem conexão, sem morte, sem vida

A vida recorrentemente, em paz, leva-me a guerra dos dias e os sonhos

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  A vida recorrentemente leva-me quem luta, em paz, Um dia reunir-me-ei exatamente com os mesmos com que me fui reunindo por cá, Para contar notícias e falar de poesias e canções, Para rirmos juntos da hipocrisia que a partida promove, Para conversar dos filhos, dos netos e dos velhos amigos como nós, Volta na volta, companheiros de luta partem-me sem nos abraçarmos, Porque não temos tempo, Porque não percorremos a vida como o tempo que a vida percorre em nós. Depois? Depois resta a paz. Quando for eu, não digam, escrevam ou contem, que ainda ontem tínhamos estado juntos, e estava tudo tão bem, que eu era muito qualquer coisa, se eu não era nada afinal, se não um amigo de poucos amigos. Mas dos bons! A vida recorrentemente, em paz, leva-me a guerra dos dias e os sonhos.

Nós dançamos com a gente que dança connosco

Todo o gerúndio ecoa como futuro plasmado, como se de dentro de uma gruta,  a felicidade fosse como jardins salpicados, de crianças e flores, sem que ninguém de alguém, tivesse pisado de forma certa e coerente o presente.   Todas as canções falam de alguém que se transforma em ninguém, ou da desventura caótica da felicidade, ou da miséria desventrada da riqueza, ou modestamente de encontros, de reencontros e de partidas, de canções e de cantigas.   E, nós dançamos. Nós dançamos com a gente que dança connosco, sem que dancemos com quem connosco dança!

Irreflexão

Há vida sem existência, não existe vida sem essência.   A existência filosófica é a única forma de existência, é a essência vivida, aprendida e apreendida todos os dias. Sem irreflexões.

humildade sem quórum

que arrogância dizer na primeira pessoa que se é humilde, ou da segunda e terceira que o não são, ou são, se a humildade é pagã, imensurável e vilã, aquando aos olhos de outros, se vê apenas cegueira, e no olhar nauseabundo de humildade apregoada, não se sustenta o proveito, a não ser publicitário.   humildade será sempre uma qualidade não arrolada à arrogância de o ser.

escombros e val de mar

" ... vagueio nos escombros que ficaram em mim de alguma coisa que já nem recordo e, alguma coisa que não recordo, terá sido os escombros por onde vagueio. Este terrível esforço que não sabe se quer ser recordação, é forçosamente uma recordação. É nesta besta incongruente que vivo. É neste inquietante mundo que habito. É só por ser, porque na verdade isto é tudo e nada, são todas as primaveras longe das flores, todos os outonos fora de tempo, todos os invernos distantes da lenha a arder, todos os verões neste miserável bairro de criançada sem cidade, da cidade sem este bairro, de mães e esquinas, de tabernas de vinho com os homens soltos até maio ou depois, de gente que entra, sai e adormece, nos jardins de ópio à solta, e minha mãe já morta, e val de mar já deposto. Eu, nos escombros sem terra, sem bairro e sem a quem amar, vagueio inquieto por mim adentro ..."