A vida recorrentemente leva-me quem luta, em paz, Um dia reunir-me-ei exatamente com os mesmos com que me fui reunindo por cá, Para contar notícias e falar de poesias e canções, Para rirmos juntos da hipocrisia que a partida promove, Para conversar dos filhos, dos netos e dos velhos amigos como nós, Volta na volta, companheiros de luta partem-me sem nos abraçarmos, Porque não temos tempo, Porque não percorremos a vida como o tempo que a vida percorre em nós. Depois? Depois resta a paz. Quando for eu, não digam, escrevam ou contem, que ainda ontem tínhamos estado juntos, e estava tudo tão bem, que eu era muito qualquer coisa, se eu não era nada afinal, se não um amigo de poucos amigos. Mas dos bons! A vida recorrentemente, em paz, leva-me a guerra dos dias e os sonhos.